Coluna Momento de Reflexão: Disfarce do tempo

Como enganar a saudade e driblar a lembrança viva de quem jamais partirá do coração, se não temos a congruência, a ciência, a exatidão e o poder divino de debelar e aceitar os revides e os disfarces da bondade, que mudou de prumo, de sumo e de rumo; na morte de alguém querido inesquecível, por exemplo? Impressionante querer compreender agora, o que somente o tempo avante explica e consola.

Nesse texto falo sobre acatar ou ressignificar a perda, a mudança indesejada, o sofrer que estaciona agressivamente no pensar; o entender algo que somente o tempo haverá de nos abrandar. Todo mundo tem o seu instante de adotar, superar, ressignificar, reiniciar, ponderar, entender, traduzir, perceber e questionar; ou até mesmo, calar e viajar na sublime imaginação. Cada perda é única, em todo tempo, momento e lugar; e para cada pessoa e circunstância; nela, o retorno eventual ou frequente da dúvida e inquisição psiquica, e a persistência da saudade, com todas as suas nuances, faz parte da existência humana. O tempo, o saber, o refletir, e o semear amor e paz no Mundo, se encarregam de nos levar avantes, e nos trazem alegrias e consolo. Repito, porém, como disfarçar e ludibriar esse tempo, que não passa com o nosso querer, e sim, com o passar dele; que nos ensina todo dia entender e aprender, o seu valor e poder? E como contornar, ou rasgar, ou dissipar, ou adiar a culpa (mesmo ausente), todavia, peremptoriamente flutuante, ambulante, e presente, nas meditações do dia a dia? A mente enlutada tem essa maestra e mestra. Temos que derrotá-la.

Tempo – aprimoremos boas qualidades, façamos o bem, diluamos o torto pensar, permitamos o persistir, e percebamos o que esse grande professor nos ensina. A busca, e até mesmo a solidão dele nos equilibra na nossa questão. E sobre o drible no tempo, que consome quem perambula no caminho da inércia? O que fazer com aquilo que dilacera a mente, inquietantemente voraz e algoz, que se inflama na dolorosa perda inesperada e feroz? O tempo mexe conosco em tudo; sobretudo, naquele tudo que não conseguimos controlar. Louvemos a vida, agradeçamos e persistamos na opção única: o continuar. Tempo: ensina-nos o caminho da retidão e da boa Deus’cisão.

 

 

 

A coluna Momento de Reflexão é publicada aos sábados com a assinatura do Dr. Russen Moreira Conrado, Cirurgião Plástico e psicoterapeuta, CRM: 5255-CE – RQE Nº: 1777 – RQE Nº: 1811

 

 

 

 

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